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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Faleceu Saul Leiter


Snow, 1960 © Saul Leiter
Saul Leiter (3 de Dezembro, 1923 – 26 de Novembro, 2013), fotógrafo e pintor americano faleceu com 89 anos.
Dizia ele: “Não entendo o interesse pela minha obra, não sei se realmente sou um pioneiro da fotografia a cores e espero que o meu desaparecimento não seja merecedor de uma notícia”.
 
Veja aqui algumas imagens do artista.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Morreu Mario de Biasi, um dos maiores vultos da fotografia italiana


Os italianos voltam-se, Milão 1954 © Mario de Biasi
 
No passado dia 27 de Maio, morreu Mario de Biasi (1923-2013), um dos maiores vultos da fotografia italiana.
 
Ferreira Fernandes, escreveu a propósito no Diário de Notícias, de ontem:"Mario De Biasi foi o grande repórter fotográfico do levantamento de Budapeste, em 1956, mas foi outra foto sua que me ficou estampada na memória. De Biasi é o autor da foto que teve o mesmo papel das alcachofras alla giudia, os contos de amores difíceis de Italo Calvino e as cores velhas de Roma - o de formar a minha ideia de Itália. Ele deu àquela foto um nome irónico: "Os italianos voltam-se" (1954). Com uma exceção, a do homem com o jornal dobrado no bolso, toda a multidão de homens não se volta (pelo menos, ainda): encara uma mulher. Todos, o da lambreta, os que sorriem e os que a medem, o operário gingão e o burguês engravatado, de barba cinzenta e cuidada, todos (mais de 20 capazes de serem reconhecidos) olham-na de frente, a ver chegar a Dama de Branco. Ela vai para eles. No centro da foto que lhe presta homenagem, ela, toda de branco, sapatos, malinha de mão e vestido que, justo, lhe vem da meia perna, subindo, coleante. As curvas, outra ironia, são também evocadas por uma tabuleta naquela praça: "Zucca". Em italiano quer dizer melancia. Não sabemos se os italianos se vão voltar; provavelmente, vão. E ela talvez goste do efeito que causa, há uma satisfação sugerida pela inclinação da nuca. De Biasi morreu esta semana, em tempos em que é raro o que aquela foto mostra. Caiu em desuso olhar assim e gostar de ser olhada assim (e por algumas boas razões). Mas uma coisa é certa: o objeto daqueles olhares é soberbo."
 
Esta foto  retrata a jovem actriz Moira Orfei e está exposta no museu Guggenheim de New York.
De Biasi recebeu em 2003, o título de Mestre da Fotografia Italiana, atribuído pela Federação Italiana de Fotografia. Em 2006, a cidade de Milão atribuiu-lhe o Ambrogino d`oro, o seu maior galardão.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Faleceu Paco Elvira


Esta imagem tem quase quarenta anos. Faz parte da primeira grande reportagem internacional de Paco Elvira. Era tempo da Revolução dos Cravos, em Portugal.
O fotógrafo faleceu aos 64 anos, no passado sábado quando um golpe de vento lhe provocou uma queda no maciço costeiro de El Garraf, junto a Barcelona.

Paco Elvira iniciou-se na fotografia nos finais dos anos sessenta - enquanto estudava Economia – para documentar a luta dos universitários anti-franquistas.

Depois da queda de Franco, tendo já enveredado  pelo profissionalismo, trabalhou para as revistas Mundo, Primera Plana e Interviú. En 1975, iniciou a sua colaboração com a  agência Cover, actualmente absorvida pela Getty. Nos inícios dos anos 80 tornou-se colaborador do El País e em 1986 foi responsável pela área fotográfica do efémero jornal desportivo Record.
Depois de anos em que nos mostrou a realidade espanhola , Paco Elvira fez reportagens entre outros países na  China, Japão, Filipinas, Irlanda do Norte, Portugal, Israel, Cuba, Croácia, Argentina, México, Brasil, Zanzibar, Camarões, Nicarágua, Argélia e Afeganistão, observando os costumes, percorrendo os mercados, conversando nas tabernas.

Actualmente colaborava com os suplementos dominicais do La Vanguardia e do El Periódico e fornecia imagens às agências Getty e Age.
O seu trabalho foi reconhecido com o prestigioso prémio Photography Year Book, em duas ocasiões.

Aqui pode ver o site do fotógrafo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Faleceu Shomei Tomatsu, o pai da fotografia japonesa


Senji Yamaguchi Hibakusha, Nagasaki/1962 © Shomei Tomatsu 


Shomei Tomatsu, considerado o pai da fotografia japonesa, faleceu no último 14 de Dezembro. O falecimento foi mantido em segredo em respeito às festividades de final de ano. Ficou famoso pela sua série de retratos de sobreviventes do bombardeamento atómico a Nagasaki.

Tomatsu, nasceu em 16 de Janeiro de 1930, na cidade de Nagoya, como Teruaki Tomatsu, onde estudou economia na Universidade de Aichi. Ainda estudante, viu as suas fotografias serem publicadas nas grandes revistas japonesas. Em 1959, criou com Kiruji Kawada, Akira Sato, Kira Tanno, Ikko Narahara e Eikoh Hosoe, a agência de fotografia Vivo. 

O seu livro "Hiroshima-Nagasaki Document 1961", publicado em colaboração com Ken Domo chamou pela primeira vez a atenção do público e da crítica para a sua obra.

Pode ver aqui, um texto de Sérgio B. Gomes publicado no jornal Público.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Faleceu Martine Franck (1938-2012)

© Martine Franck

Da autoria de Luis Almeida Martins e com o título “A luz do olhar” a revista Visão, nº 1016 (23 a 29 de Agosto de 2012) publica um pequeno texto sobre Martine Franck, que aqui transcrevo:

“ Não foi o ter sido casada com Henry Cartier-Bresson que a notabilizou. Esta belga flamenga com rosto e pose de trágica deusa grega foi, em si mesma, um dos grandes vultos da fotografia e da inquietação do século XX. Natural de Antuérpia, a cidade das docas e dos diamantes, passou a infância nos EUA e em Inglaterra, antes de ter ido estudar História de Arte para Madrid e, seguidamente, para Paris, na Escola do Louvre. Em 1963 começou a dedicar-se à fotografia, e de que maneira – como assistente na Time-Life, antes de se tornar a fotógrafa oficial do Théâtre du Soleil. Conheceu o «lendário» Cartier-Bresson em 1966, em Paris, quando fotografava para o New York Times, e casaram-se em 1970. Depois de ter trabalhado para a agência VU, foi cofundadora da Viva e integraria a Magnum em 1983. Devotada a causas sociais (direitos da mulher, auxílio à pobreza) sem nunca parar de fotografar, assinou trabalhos sobre antigas comunidades gaélicas da Irlanda e o ensino nos mosteiros tibetanos. Criou a Fundação Cartier-Bresson, destinada a gerir o acervo do marido, e trabalhou ainda para a Comédie Française antes de ter encerrado, no passado dia 15, esta viagem luminosa através do mundo e das culturas.”

Pode ver aqui alguns trabalhos da fotógrafa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Faleceu Jorge Rueda, o fotógrafo do realismo fantástico

Cornudo © Jorge Rueda    
Faleceu no passado sábado, o fotógrafo espanhol Jorge Rueda (Almería,1943 - Málaga, 2011), considerado o pai do surrealismo fotográfico e um dos nomes fundamentais da fotografia espanhola das últimas décadas.
Rueda fundou as revistas fotográficas Nueva Lente e Aquí imagen . Trabalhou como redactor gráfico da revista Triunfo e ocupou o cargo de Vogal de Edições na Real Sociedade Fotográfica de Madrid. Foi comissário dos Encontros Internacionais de Fotografia de Arlés e dirigiu em várias ocasiões os Encontros Fotográficos da Andaluzia.

Expôs em Bruxelas, Estocolmo, Genebra, Londres, Berlim, Milão, Nova York, Boston, Munique, Paris, Moscovo, Pequim, Viena, Roma e Tóquio, entre outras cidades.

Da sua obra foram publicados os livros Mal de ojo (1997), Desatinos (2000), Vidas privadas (2004 – em conjunto com outros fotógrafos) e Human (2007).

Pode ver aqui o site do fotógrafo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Gérard Castello-Lopes (1925-2011)

© Gerard Castello-Lopes

Dizia Gérard Castello-Lopes (Vichy, 1925 - Paris, 2011): "A fotografia é uma forma de ficção. É ao mesmo tempo um registo da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira."

Foi um dos mais importantes fotógrafos portugueses do séc XX. Faleceu no passado dia 12.

Pode vê-lo aqui num video do biografy channel  e aqui numa entrevista ao jornal Público, em 2004.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fotografou o seu assassino

© Reynaldo Dagsa
.
Reynaldo Dagsa - um político filipino - fotografou acidentalmente o homem (à esquerda) que o matou  a tiro.

Foi na noite da passagem de ano, em Manila, quando tirava uma foto à família, dando as boas-vindas ao ano novo.
Dagsa carregou no botão para tirar a foto, guardando para a posteridade a cara do homem que o matou, que nem sequer se apercebeu que foi fotografado.

Na origem do crime, poderão estar ressentimentos contra o conselheiro que nos últimos anos instituiu políticas de tolerância zero na aplicação da lei .

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Morreu Carlos Pinto Coelho

série S. Cucufate
© Carlos Pinto Coelho

… o “Senhor Acontece”, aos 66 anos. Foi no passado dia 15 de Dezembro.

Carlos Pinto Coelho (Lisboa, 1944-2010) foi jornalista, professor no Instituto Politécnico de Tomar e fotógrafo com cerca de 5 dezenas de exposições individuais e 4 livros publicados: A Meu Ver (Pégaso, 1992 – ASA, 2006), Do Tamanho do Mundo (co-autor, Ataegina, 1998) e De Tanto Olhar (Campo das Letras, 2002).

Em 2009, ganhou o prémio italiano “Controluce”.

A propósito da sua fotografia disse Nuno Brederode dos Santos “ Vejo ternuras e raivas, gritos e humilhações, esperanças e decadências, confidências e denúncias, o momento e o eterno, pormenores e horizontes. (…) E, de vez em quando, vejo a vingança do teu, que é o nosso, remorso: um sorriso na miséria ou uma crispação na opulência.”

Entre 1994 e 2003, deixou a sua marca com o magazine cultural “Acontece” . O primeiro e melhor magazine cultural de sempre, na televisão portuguesa.

Carlos Pinto Coelho era comendador da Ordem do Infante D. Henrique (Portugal,2000) e oficial da Ordre des Arts et des Lettres (França, 2009).

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Faleceu Saramago

José Saramago, 2001
©Chema Conesa

O escritor português José Saramago faleceu hoje pelas 12:30 horas, na Ilha de Lanzarote (Canárias), com a idade de 87 anos. Encontrava-se na sua residência, acompanhado pela sua mulher e tradutora, Pilar del Río.

Saramago, foi o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel de Literatura, em 1998.

Nasceu em 1922, em Azinhaga, uma pequena povoação, 120 kilómetros a norte de Lisboa, mantendo sempre vínculo com a sua terra.

A novela "Terra de pecado" escrita em 1947 foi a sua primeira obra. "Poemas possíveis", "Provávelmente alegria" e "O ano de 1993" vieram depois.
A popularidade internacional chegou com "Memorial do convento", um prestígio que foi consolidado com "A segunda vida de Francisco de Assis", História do cerco de Lisboa" , “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, "Ensaio sobre a cegueira", "Todos os nomes" , "Ensaio sobre a lucidez", e “Cain”.

Em 2008, iniciou o seu blogue , "O caderno”.

terça-feira, 2 de março de 2010

Faleceu Anna Farova

Cardeal Pacelli . Paris, 1938
© Henri-Cartier Bresson

No passado dia 27 de Fevereiro, faleceu a historiadora de arte Anna Farova, autora da primeira monografia sobre o consagrado fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson. Tinha 81 anos.

Uma fotografia sobre a visita do cardeal Pacelli a Paris, captada por Bresson,deixou-a impressionada. Em 1956, conseguiu encontrar-se com o fundador da agência Magnum e persuadi-lo a publicar com ela uma monografia na Checoslováquia.

"Senti que a fotografia poderia ter a mesma força que a pintura", disse, na altura, a historiadora. A monografia foi publicado em 1958 pela editora checa Odeon, sendo a primeira do género a ser lançado na Europa.

Anna Farova publicou também livros sobre a vida e obra de outros fotógrafos de renome como Werner Bischof, André Kertesz, Elliott Erwitt e Robert Capa.

Nascida em 1928 em Paris, no seio de uma família franco-checa, Anna Farova viveu em Praga, onde foi perseguida pelo regime comunista, sobretudo por ter apoiado abertamente o manifesto "Carta 77" a favor dos Direitos do Homem, redigido pelo então dramaturgo dissidente Vaclav Havel, que viria a tornar-se presidente do país, em 1989.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Adeus Humberto Rivas

Maria, 1979
© Humberto Rivas

O “fotógrafo do silêncio” faleceu no passado sábado em Barcelona, aos 72 anos.
O fotógrafo argentino Humberto Rivas nasceu em Buenos Aires, em 1937.
Em 1957, com 20 anos, comprou a sua primeira cámara fotográfica, uma Argus de 35 mm e óptica fixa. Dois anos depois realizou a sua primeira exposição fotográfica e tornou-se fotógrafo do Instituto Torcuato di Tella, de Buenos Aires, sendo as suas referências maiores Auguste Sander, Richard Avedon e Henri Cartier-Bresson.

Chegou a Barcelona em 1976, onde viveria até à sua morte.

A sua obra está presente em colecções como a da Fundação Cultural Televisa, do México; do Museu de Arte Contemporânea, em Mar del Plata (Argentina); do Museu de Arte; de Los Angeles; do Museu de Fotografia Contemporânea, de Chicago (Estados Unidos) e o Fundo de Arte da Fundação La Caixa, Barcelona.

Em 1993, expôs em Braga, nos Encontros da Imagem.

Foi galardoado com o Prémio Nacional de Fotografia em 1997. Rivas afirmou nessa altura que as suas fotografias procuravam refletir "a essência das coisas" e "o que o ser humano leva dentro".
Foi distinguido com a Medalha de Ouro ao Mérito Artístico do Ayuntamiento de Barcelona 2009. Faleceu dois dias antes de receber a distinção.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Faleceu o fotógrafo da alma humana

Série Semana Santa
© Ricard Terré

"Só pretendo mostrar o que existe de transcendente no ser humano, o seu espírito", dizia Ricard Terré, um dos grandes fotógrafos documentalistas espanhóis do século XX, que faleceu a 29 de Outubro em Vigo, onde vivia desde 1959.

Nascido no ano de 1928, em Sant Boi de Llobregat (Barcelona), Ricard Terré começou como pintor e caricaturista, mas em 1955 começou a fazer fotografia e ligou-se à Agrupación Fotográfica de Cataluña. Dois anos mais tarde integrou-se e chegou a ter um cargo directivo na Agrupación Fotográfica de Almería) , colaborando com Ramón Masats, Gabriel Cualladó e Xavier Miserachs.

As suas obras mais conhecidas foram realizadas entre 1955 e 1960. Seguiram-se 20 anos de paragem, até que em 1982, já reformado, reiniciou a actividade fotográfica e a sua obra começou a receber, com exposições e livros, o reconocimiento que merecia.

Negava-se a a datar as suas imagens porque considerava que o que era importante nelas era a maneira como refletiam o espírito humano. Dizia que "As reacções do homem frente aos grandes acontecimentos, como a morte, são as mesmas em qualquer lugar e em qualquer momento".

A sua fotografia caracterizava-se pelos enquadramente arriscados , os contrastes acentuados e a busca da proximidade com os modelos.

Portugal viu a obra deste fotógrafo em 1996, através da exposição "Ricardo Terré - Fotografias", integrada nos Encontros da Imagem de Braga. Em 2000, "Lugares de Evocaçâo" esteve patente no Museu da Imagem (Braga) e em 2004, o Centro Português de Fotografia (Porto) apresentou a exposição"Ricard Terré".

A sua obra encontra-se entre outras, nas colecções do Museu Arte Moderna (Espirito Santo ,Brasil) , Museu da Imagem (Braga, Portugal) e “Colecção Nacional de Fotografia" do Centro Português de Fotografía (Porto, Portugal).

Aqui podem ser vistas outras obras do fotógrafo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O melhor retratista de Harlem

Sun and Shade, 1952
© Roy DeCarava

Roy DeCarava, nasceu a 9 de Dezembro de 1919 em Harlem (Nova iorque) e morreu nessa mesma cidade a 27 de Outubro de 2009, Tinha 89 anos.

Chegou à fotografia após inícios prometedores na pintura. Graduado pelo Chelsea Vocational High School e pelo Harlem Art Center. Em 1955 abriu uma galería dedicada à fotografía. Coisa rara na época, pois a fotografia era mais vista como instrumento jornalístico, do que como arte criativa.

Os jornais titulam-no como o “retratista de Harlem”. Harlem aglutinava os mais importantes intelectuais negros dos Estados Unidos. Durante cerca de cinco décadas DeCavara capturou a vida do bairro mais famoso da América. Fotografou mendigos, operários, músicos, policías, crianças e cães.

Após a exposição que o MoMA realizou em 1996, as suas obras viajaram pela América e o seu talento foi reconhecido. Matt Schudel, no jornal Washington Post, afirma que “foi, juntamente com Gordon Parks, o fotógrafo afroamericano mais importante do século XX”.

Pode ver aqui outras fotos de DeCarava .