quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Legado da fotografia operária

capa da revista Der Arbeiter Fotograf
nº 8, August 1931
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Em Março de 1926 a revista Arbeiter Illustrierte Zeitung (Jornal Ilustrado dos Trabalhadores]) publicou uma convocatória para os seus leitores - a classe operária mobilizada - para que se convertesse num fornecedor de imagens da vida quotidiana proletária, das condições objectivas do trabalho industrial e das organizações e actividade política dos trabalhadores

Esta convocatória constitui o arranque de todo um movimento fotográfico que se expande pelo centro e norte de Europa e chega à América do Norte.

Diferentes núcleos de documentalismo e fotografia social vinculados aos movimentos comunistas nascem no final dos anos 20 do século passado, na Hungría, Austria, Checoslováquia, Polónia, Holanda, Inglaterra, França, Estados Unidos e México.
Esses núcleos promovem em cidades como Praga, Bratislava, Budapest, Zurique e Amsterdão, exposições e publicações de fotografía social e operária entre 1932 e 1936.
Um número significativo de fotógrafos participantes no movimento são obrigados a sucessivas migrações ou a exílios políticos em virtude da expansão dos regimes fascistas na Europa Central, sobretudo a partir de 1933. A própria revista AIZ muda-se nesse ano para Praga e pouco depois para París, até que deixa de ser publicada em e 1938.

A principal missão do movimento era a representação da crise económica e dos seus efeitos sociais, particularmente entre as classes desfavorecidas. A pobreza, a exploração e o desespero eram algumas das condições estruturais da vida proletária que deviam ser mostradas.
Nesse sentido, o crítico alemão Edwin Hoernle definia um olho proletário específico, antagónico ao humanismo burguês, em que a compaixão é a expressão de superioridade de classe. Hoernle escrevia: “Devemos proclamar a realidade proletária em toda a sua repugnante fealdade, com a sua denúncia à sociedade (…) Devemos apresentar as coisas como são, com uma luz dura, sem compaixão”.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mozambique te mira

© Samuel Sanchez

Mozambique te mira” é o título da exposição organizada pela Asociación Medicusmundi Madrid e que reúne 26 fotografias 30x40 realizadas por Samuel Sanchez (Madrid, 1976).

A exposição mostra um conjunto de fotografias que reflectem a realidade social de Moçambique, um dos países mais pobres do mundo, com cerca de 19 milhões de habitantes, onde 50 por cento da população tem menos de 15 anos, 78 por cento vive com menos de 2 euros por dia e conta sómente com 2 médicos por cada 100.000 habitantes.

Samuel Sanchez iniciou-se em fotografia na Universidade Complutense de Madrid, durante a sua licenciatura em Jornalismo. Trabalhou no jornal "La Voz de Asturias" e na agência Europa Press.

A exposição está patente no Aeroporto de Madrid-Barajas, até ao dia 31 de Janeiro.

Pode ver aqui as 26 imagens.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Marín exposto em Pontevedra

Carmen Peche
© Marín

É inaugurada hoje, pelas 20:30 horas, no Museu de Pontevedra a exposição “MARÍN. Fotografias 1908 -1940” com 150 obras de Luís Ramón Marín (Madrid, 1884-1944), um dos primeiros repórteres fotográficos espanhóis.

As cento e cinquenta imagens seleccionadas de Marín – era assim que assinava - pertencem a um arquivo composto por cerca de 18.000 negativos, na sua maioria de cristal, que sobreviveu.

A exposição percorre toda a obra deste fotógrafo madrileno, contemporâneo de outros grandes mestres da fotografia do início do século XX, como Alfonso, Ramón Claret, Gaspar ou Contreras.

Pode ser visitada até 21 de Fevereiro.

Vencedor do Prémio Veolia 2009 foi desclassificado

© José Luis Rodríguez

O Museu de História Natural de Londres e a revista de natureza da BBC, promotoras do prestigiado Prémio Veolia de Fotografia de Natureza de 2009, num comunicado emitido ontem informam que: "Entristece-nos confirmar que depois de uma investigação cuidadosa e exaustiva da imagem (...), desclassificamos a fotografia vencedora do fotógrafo José Luis Rodríguez".

As primeiras dúvidas sobre a fotografia de José Luis Rodríguez surgiram quando alguns especialistas sobre a vida dos lobos afirmaram que, perante uma cerca, o normal é que um animal selvagem tente passar entre os barrotes e não saltar. A revista finlandesa “Suomen Luonto” num artigo datado de 17 de Dezembro já alertava da possibilidade de se tratar de um animal de cativeiro.

As regras do concurso traduzidas em diversos idiomas são claras quando estabelecem que "as fotografias de animais utilizados como modelos não podem participar na competição".

Segundo a cadeia de televisão Sky News, o animal em questão vive num jardim zoológico nas proximidades de Madrid.

Rodríguez terá que devolver o prémio de 11.500 euros e a sua fotografia será retirada da exposição patente no Museu de História Natural.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Martin Luther King Jr. fotografado por Benedict Fernandez

Martin Luther King Jr
© Benedict J. Fernández

O Dr. Martin Luther King Jr, nasceu a 15 de Janeiro de 1929 na cidade de Atlanta e foi assassinado a 4 de Abril de 1968 em Memphis. Se fosse vivo teria hoje 81 anos.
As raízes do fotógrafo americano Benedict J. Fernández (Nova Iorque, 1936), filho de pai porto-riquenho e mãe americana, estão em Espanha e Itália.

Durante o último ano de vida de Luther King, Fernández trabalhou com ele, fazendo fotografias, com o objectivo de ser produzido um livro.
"Estávamos trabalhando no livro, e havíamos combinado que no dia 6 de abril continuaríamos essa tarefa" lembra o fotógrafo. King iria viajar para Nova Jersey, onde celebraria o seu aniversário no dia 5.Mas não houve festa. King seria atingido no dia 4 em Memphis, Tennessee. "A fotografia seguinte que lhe fiz já foi com ele no caixão, no dia 6."

Em 1989 e em colaboração com a família King, Fernández realizou uma exposição “Countdown to Eternity “ com 80 fotografias.
Em 1993, as fotografias de Benedict tomaram a forma do livro sonhado por King, com o mesmo título que a exposição.
Para além do livro sobre King, publicou ainda “IN OPPOSITION: Images of American Dissent in the Sixties” em 1968 e “Protest” em1996.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Silêncios", uma exposição de Gageiro

Vilar Formoso,1970
© Eduardo Gageiro

Trinta fotografias de Eduardo Gageiro captadas nos últimos 50 anos foram reunidas na exposição “Silêncios” que é hoje inaugurada na livraria Círculo das Letras ( Rua Augusto Gil, 15B – Lisboa).

As imagens foram publicadas em 2008 no livro com o mesmo título, com duas centenas de fotografias, acompanhadas por textos da escritora Lídia Jorge e editados pela Mãe d’Água.
Na inauguração, às 19h00, além do autor, vai estar presente Maria Antónia Palla para falar sobre a obra de Gageiro, uma das grandes referências do fotojornalismo em Portugal, galardoado com mais de trezentos prémios.

Gageiro trabalhou como fotojornalista, entre outros, no “Diário de Notícias”, “O Século Ilustrado” e revista “Sábado”.

A exposição pode ser vista até 6 de Fevereiro.