sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Quem fotografou Zapata ?

A análise minuciosa de um negativo permitiu determinar que uma imagem icónica da Revolução Mexicana em que aparece o revolucionário Emiliano Zapata Emiliano não foi captada pelo fotógrafo alemão Hugo Brehme (1882-1954).

Um comunicado, emitido pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) , informa que Mayra Mendoza, especialista na obra de Brehme, descobriu que no negativo se vê uma legenda que não tem qualquer relação com o estúdio fotográfico do alemão.

A famosa foto de Zapata, reproduzida, em inúmeros livros, revistas e camisolas, poderá - admite Mendoza - "ser obra de um fotógrafo norte-americano pouco conhecido, chamado F. Moray ou F. McKay".

No retrato, um dos mais famosos que dele se fizeram, Emiliano Zapata, herói da Revolução (1910-1917), aparece de corpo inteiro, com a espingarda na mão direita, o braço esquerdo apoiado no sabre e uma faixa a cobrir-lhe o peito, abaixo das cartucheiras.
A fotografia foi tirada no Hotel Moctezuma da cidade de Cuernavaca em 1911 e apareceu pela primeira vez impressa no diário El Imparcial, a 16 de Abril de 1913.

Mendoza, subdirectora da Fototeca Nacional do INAH, sustenta a sua tese no seguinte: descobriu que no negativo de impressão da imagem "é possível notar, sob a ponta do sabre [de Zapata], que a impressão esteve assinada em inglês com caligrafia manuscrita: Zapata, Photo and Copyright by F.M.".
Ora, segundo a perita, Brehme não costumava escrever anotações nas imagens, e todas as legendas nas margens foram por ele feitas com letra maiúscula de molde.
Acrescenta ainda que não há indicações de que o fotógrafo alemão usasse a língua inglesa nas suas impressões fotográficas. Privilegiou sempre o castelhano e, quando empregou outra língua, foi a alemã.
Outro argumento - assinalou a perita - é que "em nenhuma das colecções de Brehme no exterior é possível localizar o retrato de Zapata, muito menos assinado e selado por ele, como sucede invariávelmente com outras das suas peças".

Segundo a investigadora, o conhecido retrato foi atribuído a Hugo Brehme a partir de 1995 "sem qualquer referência histórica ou documental, por motivo da exposição 'México: uma nação persistente'".
"Nenhum testemunho fidedigno - vincou - indicava que assim fosse. Apesar disso, nasceu um mito sem fundamento que chegou até aos nossos dias", afirmou.
Na opinião da especialista, o erro deveu-se, talvez, ao facto de Brehme ter estado no quartel do chamado "Caudilho do Sul" e tirado várias fotografias célebres, como a dos irmãos Emiliano e Eufemio Zapata, com as suas respectivas mulheres.

Fonte: Expresso

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Olhares do Cinema

Ângela Molina
© Angelo Frontoni

A exposição “Olhares do Cinema”, pode ser visitada até ao dia 19 de Dezembro na Dormi2, (Gran Vía de las Corts Catalanes, 316 - Barcelona).

São 100 fotografias originais de Angelo Frontoni, o fotógrafo italiano que conseguiu que todas as grandes divas da época dourada do cinema europeu e americano posassem para ele.

Tudo começou em 1957 quando Frontoni retratou Gina Lollobrigida.

A partir daí a sua presença tornou-se habitual nos castings e rodagens que Federico Fellini, Luchino Visconti, Vittorio De Sica, Bolognini, Billy Wilder, Lattuada, Bertolucci e Truffaut realizaram para imortalizar os momentos mais gloriosos da sétima arte.

Frontoni não só foi um dos artistas visuais mais importantes da sua geração, mas também um fazedor de estrelas. As suas chaves abriram as portas do cinema para Cláudia Cardinale, Alain Delon e Olívia de Hussey.
A relação que Frontoni tinha com as grandes actrizes ultrapassava o âmbito profissional. Sofia Loren, Natalie Wood e Ursula Andress elegeram-no como amigo e confidente para partilhar e imortalizar os seus momentos mais íntimos e familiares.

Nos seus trinta anos de carreira, Frontoni conheceu personagens tão emblemáticos como Jean Cocteau, Marilyn Monroe, Arthur Miller, Charlie Chaplin e Edith Piaf, conventendo-se assim em testemunho privilegiado de momentos que passaram à história.

Pela mão de Enrique del Pozo e Anthony Toffoli, “Olhares do Cinema” chega a Barcelona na sua expressão mais vanguardista. Os organizadores quizeram levar o trabalho de Frontoni ao grande público e por isso elegeram um armazém de grandes dimensões e muito central como sala de exposições. Esta fusão de arte e comércio eé algo muito usual em cidades como Berlim ou Chicago.

Fonte: El País

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O homem e as suas crenças

Missa, Portugal 1954
© Sabine Weiss

Se for a Santiago de Compostela não deixe de visitar o Museu das Peregrinações.

Até ao próximo dia 15 de Fevereiro, poderá apreciar a sensibilidade e a técnica de Sabine Weiss, a conhecida fotógrafa suiça nascida em 1924 na povoação de Saint-Gingolph e posteriormente naturalizada francesa.

É uma selecção de sessenta imagens a preto e branco que dão origem à exposição intitulada “O homem e as suas crenças”, que traduz um trabalho de várias décadas em várias partes do mundo e nos “fala” através da imagem, de religião, fé, expressão e comportamento humano perante a divindade.

Considerada uma das grandes fotógrafas humanistas, Weiss retrata "o momento transcendental do diálogo entre a pessoa e a divinidade".

Weiss, foi ajudante do fotógrafo de moda Willy Maywald nos seus começos trabalhando em estúdio, quando se dá conta da importância da luz natural como fonte de emoção.

O museu organizará actividades didácticas dirigidas principalmente ao público escolar, em que será abordado o significado da exposição. Disporá também de um serviço gratuito de visitas comentadas, para adultos.

José Cendón. "Medo nos Grandes Lagos"

© José Cendon

O fotógrafo galego José Cendón teve o seu trabalho premiado com o World Press Photo 2006.

"José Cendón. Medo nos Grandes Lagos", é uma exposição com 46 fotografias de Cendón obtidas em centros de tratamento mental na região africana dos Grandes Lagos. Uma série com a qual Cendón quiz "ferir o espectador" e agitar a sociedade que presta tão pouca atenção "ao lugar onde sucederam e sucedem as coisas mais terrivéis do planeta".
"Medo nos Grandes Lagos" leva-nos em viagem por hospitais e centros psiquiátricos do Ruanda, Uganda, Burundi e Congo para mostrar as difíceis circunstâncias em que é prestada assistência no terceiro mundo.

A exposição pode ser visitada na Galeria 8 do Instituto Valenciano de Arte Moderna (Espanha), de 19 de Novembro até ao próximo dia 3 de Janeiro.

Júlio de Matos expõe em Pequim

série Fading Hutongs, Pequim
© Júlio Matos

O fotógrafo Júlio de Matos, formado em arquitectura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, inaugurou hoje em Pequim uma exposição intitulada "Journey" ("Viagem").
A mostra reúne 116 imagens efectuadas ao longo dos últimos cinco anos em Portugal e na capital chinesa.

Parte das fotografias expostas nesta "Viagem" testemunha a vida nos últimos "hutongs" de Pequim, os típicos becos da cidade cuja origem remonta ao domínio mongol (século XII) e que Júlio de Matos pretendeu "fixar para memória futura".

"Sinto-me bem em Pequim (...) Cresci aqui como fotógrafo", disse Júlio de Matos.

O fotógrafo recebeu em 1988, o Grande Prémio Kodak de Fotografia.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Homem prevenido

Homem prevenido, Porto 2009
© Pereira Lopes