quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Centelles e a fotografia dos cavalos

Fotografia publicada pela "Newsweek"
© Agustí Centelles

Fotografia original obtida a 19 de Julho de 1936
© Agustí Centelles
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Octavi e Sergi Centelles foram entrevistados pelo jornal “El Mundo” a propósito da transferência do legado – 12.000 negativos - do pai, o fotojornalista valenciano Agustí Centelles (Valência, 1909-Barcelona, 1985) para o Centro de Memória Histórica de Salamanca.
Quando o jornalista lhes referiu que a imagem mais conhecida do pai é a que foi publicada na “Newsweek”, a dos cavalos em que falta o homem com a pistola, revelou Octavi Centelles:
Como se trabalhava em analógico, quando o meu pai disparou essa fotografia viu que o indivíduo estava lá, mas teve a sensação de que tinha disparado antes. Por isso cortou-a. Não é muito conhecido que veio um avião privado recolher cerca de vinte e poucas fotografias, entre elas as de Centelles, para sairem na imprensa internacional. O meu pai reconhecia que havia duas fotos preparadas, o que não quer dizer que montou um cenário, só que não eram documentos do momento. A famosa fotografia dos cavalos é a última. Combinou com a guarda de assalto que quando estivesse limpo faria a fotografia. Chega a Guarda Civil, vai toda a gente para a rua “Diputación con Llúria”, e ele volta correndo. Colocam-se, fazem a foto na mesma esquina.”

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Rita Magalhães

série Intimacy
© Rita Magalhães

Rita Magalhães nasceu no Porto (1974) onde vive, trabalha e se licenciou em Pintura, na Faculdade de Belas Artes.

Expõe individualmente desde 1999 (Sala Poste-ite, Edificio Artes em Partes, Porto), em 2001 apresenta Amélia / Cidade (Galeria Pedro Oliveira, Porto), em 2004 Ausência (Galeria Pedro Oliveira, Porto), em 2005 Intimacy (Galeria Niklas Von Bartha, Londres), em 2006 Time Still (Galeria Pedro Cera, Lisboa) e em 2007 Reflets dans l`eau (Galeria Pedro Oliveira, Porto) e Fotografia ( Galeria Fúcares, Madrid).

Colectivamente teve trabalhos seus expostos em – entre outras cidades - Santiago de Compostela, Roterdão, Saragoça, Salzburgo, Viena, Valladolid e Rio de Janeiro (Caixa Económica Federal, 2008).

Alguma da sua obra faz parte de colecções do Centro Galego de Arte Contemporânea (Santiago de Compostela), da Universidade do Minho (Braga), Faculdade de Medicina (Porto), Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contemporánea (Badajoz), Fundació Foto Colectania (Barcelona), Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e Centro Órdoñez Falcón de Fotografia ( San Sebastian), entre outros.

Pode ver aqui o site da artista.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Foto Nikon 2009

Desporto

Gente e Sociedade

Natureza

Os fotógrafos Manuel Fernández (Desporto), Sofía Moro (Gente e Sociedade) e Jordi Bas (Natureza), foram os vencedores do prémio Foto-Nikon 2009.

Com uma participação de mais de 400 fotógrafos e 1.200 fotografias, este concurso está dirigido básicamente a profissionais equipados com câmaras Nikon e é dotado de 6.000€ para cada vencedor. Os vencedores também têm publicada a sua obra e curriculum no livro Foto-Nikon 2009 que será publicado em 2010, com uma tiragem de 30 mil exemplares.

Desde o dia 1 de Julho até 30 de Outubro de 2009, os participantes puderam apresentar as suas fotografías realizadas com equipamentos Nikon, até um máximo de cinco por pessoa, e quando uma delas tivesse sido publicada num meio de comunicação social (impresso ou digital).

O júri foi constítuido por Antonio Vázquez, Javier Ara Cajal, Begoña Rivas, Pere Ignasi Isern i Pascal, Carlos Agustin, Jordi Cotrina, Bernardo Paz, Enric Fontcuberta, o responsável dos produtos profissionais da Nikon, Carlos Ormazabal e o director-geral da Finicon (importador oficial da Nikon em Espanha), José Ramón de Camps.

"Los Raros", de Robinson Savary

© Robinson Savary

No dia 10 de Dezembro foi inaugurada no Centro Cultural Borges (calle Viamonte, esq. San Martín - Buenos Aires) a exposição "Los Raros".

Trata-se de um provocador conjunto de fotografias a preto e branco do cineasta e fotógrafo françês Robinson Savary (n. 1969) que inclui retratos de personagens circenses protagonizados por conhecidas figuras do cinema e do teatro obtidas entre Maio a Setembro de 2001, em Paris, Los Ângeles e sul de França e retratos de transexuais da zona de Palermo, em Buenos Aires, obtidas em 2009. As protagonistas das imagens são dez, com idades entre entre os 20 e os 30 anos, a maioria proveniente de diferentes provincias argentinas, mas também duas peruanas e uma panamiana.

" Sayuri Tuchía Salazar foi a primeira que aceitou prestar-se a uma sessão de retratos. Esteve sempre presente, ás vezes ajudando-me a eleger as imagens, com uma seriedade e uma dedicação notáveis. Naturalmente elegía como curadora da exposição", disse Savary que referiu ainda ter descoberto, "um mundo obscuro, duro, com muita tristeza, mas também com muito amor, solidaridade, e com valores muito fortes de amizade".

O fotógrafo decidiu incluir na exposição sómente um nú integral, que "é muito forte, porque não é uma mulher, não é um travesti, é um andrógeno, uma criatura do terceiro sexo".

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Terre de Personne, de Pierre Gonnord

Eloísa, Tás-os-Montes/Portugal
© Pierre Gonnord

Eloísa” é uma das 38 fotografias de Terre de Personne (nome ambíguo, um jogo de palavras, que significa Terra de Ninguém), exposição do francês Pierre Gonnord, que pode ser vista na sala Alcalá 31 (Madrid) até 28 de Fevereiro de 2010.

Para Pierre Gonnord (1963), a viver em Madrid há 22 anos, viajar pelo norte de Espanha e Portugal para retratar os rostos dos que semeiam a terra, os rostos curtidos pelo vento, foi uma mudança na sua carreira. Levava 12 anos fotografando yakuzas japoneses, ciganos do bairro sevilhano das 3.000 vivendas, ou habitantes da periferia de Madrid e Paris.

Desta vez é outra periferia, agora é rural: "Meti todo o meu equipamento no carro e conduzi até esse meio tão próximo e tão desconhecido ao mesmo tempo..”.
Aproximar-se deles não foi fácil ."Há gente mais acolhedora e outra mais fechada, não podemos chegar de fora e focar com a câmara. Eu entendo o meu trabalho como uma vivência, tenho que viver nos locais, criar confiança.”

Os retratos dominam as imagens de Gonnord, parecendo retiradas de uma pintura barroca como a anciã agricultora portuguesa Eloísa, algo fantasmagorica, iluminada pela ténue luz do lugar.

"Eloísa é uma agricultora de uma pequena aldeia do Norte de Portugal (Trás-os-Montes). Vive só. Pertence a essa geração de trabalhadores que possuem parcelas de terra muito pequenas e não emigrou para França ou outros países como a maioria dos seus compatriotas na época de Salazar, empurrados por razões económicas ou políticas. Aldeias povoadas hoje em dia por gente muito idosa que vive dos escassos recursos num regime de subsistência, agricultura e pequena criação de gado. As habitações e ferramentas de trabalho são tradicionais”