terça-feira, 10 de novembro de 2009

O renascimento da Polaroird

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Em Junho de 2008, a Polaroid deixou de fabricar a película para as suas míticas câmaras instantâneas ao fechar as suas fábricas no México e na Holanda.

A força da fotografia digital parecia empurrar definitivamente para o desaparecimento, as câmaras Polaroid.

O austríaco Florian Kaps pensou que muita gente gostava de continuar a aventura de fazer uma fotografia e a sua revelação de imediato.Por outras palavras, existia um nicho de mercado que queria algo mais que uma imagem para contemplar no seu computador: queriam fotografias que pudessem "tocar, sentir e olhar".

Nasceu assim The Impossible Project. Kaps e André Bosman, um engenheiro da Polaroid em Enschede (Holanda), pediram 1,7 milhões de euros a empresas de capital de risco, compraram todo o equipamento e alugaram o edificio por um período de 10 anos. "Estamos nós e muitas outras pessoas demasiado enamorados pela fotografia analógica instantânea para a deixar morrer só porque a Polaroid já não a considerava rentável", afirmou Kaps.

The Impossible Project não é só uma questão romântica: "Baseia-se no amor pela fotografia analógica instantânea, mas também, existe um plano de negócio por trás”. A sua missão é desenvolver uma nova película para as câmaras instantâneas, melhorada e modernizada.
Segundo Kaps, em Fevereiro de 2010 esperam ter a película em preto e branco para a Polaroid SX70 (o modelo mais vendido). A cor terá que esperar até ao Verão de 2010.

Estima-se que existam cerca de mil milhões de câmaras Polaroid em todo o mundo. O objetivo do projecto é produzir um milhão de películas em 2010. O

O fotógrafo Pasquale Caprile, assegura que a fotografia analógica instantânea tem um valor que nunca poderá ter o digital: "Vês no momento e em papel, o que é totalmente distinto de ver num écran. Cada foto é única, e isso não tem preço. Não existem dois polaroids iguais. Há uma volta atrás. Como na música: o som do vinil tem uma profundidade que põe os cabelos em pé. Sucede o mesmo com a fotografia".

Documentário sobre a AFAL

A revista Afal fundada em 1956 por José María Artero e Carlos Pérez Siquier, desempenhou um papel muito importante na renovação da fotografia espanhola.

Inicialmente era o boletim da Agrupación Fotográfica Almeriense, mas a partir do nº 4, passou à condição de revista que chegou a ser bilingue (espanhol e francês) e aos 2500 exemplares de tiragem.

A sua curta vida, entre 1956 e 1963, reflete a sorte de muitas das publicações de culto, cuja independência e valentia não são suficientes para escapar ás dificultades objectivas: os embates da competência comercial e a ausência de apoios oficiais.

Marcou uma ruptura, com uma nova maneira de olhar para a paisagem e a sociedade espanhola.

O documentário AFAL, una mirada libre (1956-1963), dirigido por Alberto Gómez Uriol e produzido por 29Letras, passou na secção competitiva do Festival de Cinema Europeu de Sevilha.
Durante 60 minutos o documentário narra, com testemunhos dos seus protagonistas, como esses jovens conseguiram mudar o rumo da fotografia espanhola. Testemunham Carlos Pérez Siquier, Oriol Maspons, Ramón Masats, Alberto Schommer, Joan Colom, Gonzalo Juanes, Josep María Albero, Pomés, Ángel De la Hoz e os já falecidos Ricard Terré, Joaquín Rubio Camín e o redactor gráfico do El País Francisco Ontañón. "Fizemos as primeiras entrevistas em 2007. Corríamos o risco de que algum desaparecesse e decidimos iniciar o documentário sem dispormos de financiamento total", explica Gómez Uriol.

Para Carlos Pérez Siquier, o documentário é uma obra "imprescindivel" para a compreenssão da história da fotografia espanhola dos anos 50 e 60 do século passado. "A AFAL foi um grupo catalizador da fotografia humanista e neo-realista que tem agora as suas obras expostas na nova colecção do Museu Rainha Sofia, realizada por Manuel Borja".

O documentário já conseguiu a Estrela de Prata na categoria de Criação Documental, do Concurso Internacional de Criação Contemporânea sobre a Memória da Andaluzia.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Adeus Humberto Rivas

Maria, 1979
© Humberto Rivas

O “fotógrafo do silêncio” faleceu no passado sábado em Barcelona, aos 72 anos.
O fotógrafo argentino Humberto Rivas nasceu em Buenos Aires, em 1937.
Em 1957, com 20 anos, comprou a sua primeira cámara fotográfica, uma Argus de 35 mm e óptica fixa. Dois anos depois realizou a sua primeira exposição fotográfica e tornou-se fotógrafo do Instituto Torcuato di Tella, de Buenos Aires, sendo as suas referências maiores Auguste Sander, Richard Avedon e Henri Cartier-Bresson.

Chegou a Barcelona em 1976, onde viveria até à sua morte.

A sua obra está presente em colecções como a da Fundação Cultural Televisa, do México; do Museu de Arte Contemporânea, em Mar del Plata (Argentina); do Museu de Arte; de Los Angeles; do Museu de Fotografia Contemporânea, de Chicago (Estados Unidos) e o Fundo de Arte da Fundação La Caixa, Barcelona.

Em 1993, expôs em Braga, nos Encontros da Imagem.

Foi galardoado com o Prémio Nacional de Fotografia em 1997. Rivas afirmou nessa altura que as suas fotografias procuravam refletir "a essência das coisas" e "o que o ser humano leva dentro".
Foi distinguido com a Medalha de Ouro ao Mérito Artístico do Ayuntamiento de Barcelona 2009. Faleceu dois dias antes de receber a distinção.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Faleceu o fotógrafo da alma humana

Série Semana Santa
© Ricard Terré

"Só pretendo mostrar o que existe de transcendente no ser humano, o seu espírito", dizia Ricard Terré, um dos grandes fotógrafos documentalistas espanhóis do século XX, que faleceu a 29 de Outubro em Vigo, onde vivia desde 1959.

Nascido no ano de 1928, em Sant Boi de Llobregat (Barcelona), Ricard Terré começou como pintor e caricaturista, mas em 1955 começou a fazer fotografia e ligou-se à Agrupación Fotográfica de Cataluña. Dois anos mais tarde integrou-se e chegou a ter um cargo directivo na Agrupación Fotográfica de Almería) , colaborando com Ramón Masats, Gabriel Cualladó e Xavier Miserachs.

As suas obras mais conhecidas foram realizadas entre 1955 e 1960. Seguiram-se 20 anos de paragem, até que em 1982, já reformado, reiniciou a actividade fotográfica e a sua obra começou a receber, com exposições e livros, o reconocimiento que merecia.

Negava-se a a datar as suas imagens porque considerava que o que era importante nelas era a maneira como refletiam o espírito humano. Dizia que "As reacções do homem frente aos grandes acontecimentos, como a morte, são as mesmas em qualquer lugar e em qualquer momento".

A sua fotografia caracterizava-se pelos enquadramente arriscados , os contrastes acentuados e a busca da proximidade com os modelos.

Portugal viu a obra deste fotógrafo em 1996, através da exposição "Ricardo Terré - Fotografias", integrada nos Encontros da Imagem de Braga. Em 2000, "Lugares de Evocaçâo" esteve patente no Museu da Imagem (Braga) e em 2004, o Centro Português de Fotografia (Porto) apresentou a exposição"Ricard Terré".

A sua obra encontra-se entre outras, nas colecções do Museu Arte Moderna (Espirito Santo ,Brasil) , Museu da Imagem (Braga, Portugal) e “Colecção Nacional de Fotografia" do Centro Português de Fotografía (Porto, Portugal).

Aqui podem ser vistas outras obras do fotógrafo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O melhor retratista de Harlem

Sun and Shade, 1952
© Roy DeCarava

Roy DeCarava, nasceu a 9 de Dezembro de 1919 em Harlem (Nova iorque) e morreu nessa mesma cidade a 27 de Outubro de 2009, Tinha 89 anos.

Chegou à fotografia após inícios prometedores na pintura. Graduado pelo Chelsea Vocational High School e pelo Harlem Art Center. Em 1955 abriu uma galería dedicada à fotografía. Coisa rara na época, pois a fotografia era mais vista como instrumento jornalístico, do que como arte criativa.

Os jornais titulam-no como o “retratista de Harlem”. Harlem aglutinava os mais importantes intelectuais negros dos Estados Unidos. Durante cerca de cinco décadas DeCavara capturou a vida do bairro mais famoso da América. Fotografou mendigos, operários, músicos, policías, crianças e cães.

Após a exposição que o MoMA realizou em 1996, as suas obras viajaram pela América e o seu talento foi reconhecido. Matt Schudel, no jornal Washington Post, afirma que “foi, juntamente com Gordon Parks, o fotógrafo afroamericano mais importante do século XX”.

Pode ver aqui outras fotos de DeCarava .