segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Auto-retrato sem retoques

Untitled, Roma 1977-1978
© Francesca Woodman

Francesca Woodman (Denver, 3 de Abril de 1958 – 19 de Janeiro de1981), suicidou-se aos 22 anos.

Ficou famosa pelos seus trabalhos a preto e branco, onde utilizando a própria imagem ou modelos femininos, produziu fotografias que nos mostram jovens mulheres nuas, desfocadas (devido ao movimento e a longos tempos de exposição).
Desde os 13 anos, em 1972, quando fez a sua primeira fotografia “ Auto-retrato aos 13 anos” desnudou as suas inquietudes perante a câmara.
Só foram publicadas cerca de 120 imagens de um arquivo, zelosamente guardado pelos seus pais, que terá umas 800.

Escreveu Cláudia Nóvoa, em Setembro de 2007 na apresentação do seu espectáculo de bailado “Olhos de Areia” baseado nas imagens de Francesca: “Olho as imagens criadas por Francesca Woodman, imagens que ela habita com uma presença inquietante. Fragmentos surreais. Imprimem-se em mim.Na minha cabeça um tornado de imagens, o meu corpo cheio de movimentos perdidos.Pensamentos livres.Palavras a serpentearem no ar. Palavras que se projectam no papel em voo planado.De quantas maneiras podemos descascar uma laranja? Quantos grãos de areia tem o nosso planeta? Os meus olhos sentem-se de areia. São de areia. Desfazem-se com o vento. Dissolvem-se, transformam-se, transformam-me, modificam o que vejo e o que não vejo torna-se visível. Sinto-me cansada ultimamente… de areia, sem ossos.”

A exposição de Francesca Woodman , “Auto-retrato sem retoques” , composta por 15 imagens a preto e branco poderá ser vista de 9 de Setembro a 24 de Outubro na galeria La Fábrica (Madrid).

"Nova Iorque", de Zubiaga

Central Parque,série Nova Iorque
© Alfonso Zubiaga

Alfonso Zubiaga é um fotógrafo espanhol, nascido em 1958, em Bilbau.

Licenciado em Ciências Económicas, cedo descobriu que a sua paixão era a fotografia. Já em Londres, para onde foi trabalhar como jardineiro, participou durante 8 meses na ambientação da película “Greystoke”, dirigida por Hugh Huston, o mesmo de “Carros de fogo”. Posteriormente participou no filme “Em busca da arca perdida” o que lhe permitiu conhecer de perto a forma de trabalhar de Spielberbg.

Em 1984, fixou o seu estúdio em Madrid e começou a realizar trabalhos para algumas das agências de publicidade, revistas e editoriais mais importantes de Espanha. Da sua outra grande paixão, as viagens, Zubiaga comenta que "com elas aprendi a observar e captar a beleza das coisas no seu espaço natural, realizando numerosas reportagens. A minha escola foi a experiência, assim como muitas horas de investigação", assegura o fotógrafo.

Integrada na Semana de Arquitectura organizada anualmente pela Fundação Arquitectura do Colégio Oficial de Arquitectos de Madrid (COAM, este fotógrafo apresenta a exposição “Nova Iorque”. São 14 imagens de grande formato, das 24 que formam a série.
Estas imagens, manipuladas digitalmente, tentam “transmitir a sensação de vertigem, o movimento e o prazer que senti faz já muitos anos. A fotografia não é só uma imagem, mas também um autêntico estímulo capaz de transmitir sensações. Continuo na actualidade com este projecto, com séries realizadas na Gronelândia, Namibia e próximamente na Amazónia peruana”.

No Centro de Imagem EFTI de Madrid, até 11 de Outubro de 2009.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A cor de uma vida

© Gonzalo Juanes

Gonzalo Juanes ( Gijón, 1923 ) engenheiro de profissão e fotógrafo por vocação foi um dos primeiros em Espanha a utilizar a cor, nos anos 60. De um golpe desfez-se do seu laboratório e do móvel onde guardava todos os seus negativos de preto e branco. Desde esse dia, e com excepção de um pequeno retorno nos anos 90, não mais fotografou a preto e branco.

Foi membro da AFAL ( Associação Fotográfica de Almeria ) juntamente com outras reconhecidas personalidades como Oriol Maspons, Gabriel Cualladó, Ramón Masats, Pérez Siquier e Paco Gómez, e a temática da sua obra foi variada: paisagens mineiras e seus habitantes asturianos, recantos de Gijón ou as ruas de Madrid, juntamente com imagens da sua vida pessoal, dos seus pais, da sua casa e da sua estada no hospital.

"O mais interessante da sua visão, e nesse sentido é verdadeiramente pioneiro em Espanha - na linha do que se fazia noutros países, mas do qual não se tinha notícias - é que Gonzalo, quando adopta a cor, segue actuando como um repórter, um documentalista, na tradição sobretudo americana", diz o fotógrafo José Manuel Navia.

Apesar da sua importância, tardou alguns anos a ser reconhecido. Era um fotógrafo “amador”, residia numa cidade pequena, e atreveu-se a cortar com o preto e branco numa época em que este tipo de fotografia era dominante. Contudo, em 2008, a editorial La Fábrica reconheceu o seu talento e publicou-o na sua colecção 'Photobolsillo', que destaca os 70 melhores fotógrafos espanhóis.
Das 74 imagens do livro, 30 estão agora na exposição “A cor de uma vida".

Até Junho de 2010 a exposição, que começou em Gijón em Maio, e está até 14 de Setembro em Madrid (Fnac Plaza Norte), passará por Saragoça, Múrcia, Corunha e Málaga.

Pode ler aqui uma entrevista com o fotógrafo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Maridajes

© Cristina García Rodero

García Rodero (Puertollano, Ciudad Real, 1949) iniciou a sua carreira nos anos 70: "Desde o primeiro dia, preocupou-se em fotografar os aspectos humanos mais vinculados ao popular e ao tradicional, e com essa tarefa prossegue na actualidade, chegando a imagens que são pura poesia, com um mundo mágico".

Pelo contrário Inês Gonçalves (Málaga, 1964), é uma das representantes da nova fotografia portuguesa, "parte da estética e da teoria da arte fotográfica para ir a parar ao mesmo ponto que García Rodero, reconhecendo o valor que pode ter o retrato".

"As duas sabem perfeitamente o que querem e admiram as obras respectivas. Utilizam o preto e branco para se acercarem a uma realidade que é interior, porque toda imagem transcende a realidade que representa", disse Salvador Rodés.
Estão juntas agora, na exposição “Cristina García Rodero / Inês Gonçalves. Maridajes”, um conjunto de cerca de uma centena de fotografias que podem ser vistas na sala de San Benito (Valladolid).
Permanecerá aberta até ao próximo dia 27 de Setembro.

Eu mesmo e o outro

Auto-retrato
© Ebenezer Sunder Singh

Eu mesmo e o outro. Retratos na fotografia indiana, pode ser vista no Centre de la Imatge-La Virreina, de Barcelona, até 27 de Setembro. É uma exposição de género: retratos.

A eleição de Umrao Singh Sher-Gil (1870-1954), como porta de entrada da exposição é deveras acertada. Personagem de lenda, erudito, extravagante e cosmopolita e pioneiro da fotografia indiana, essencialmente de retrato, foi um descobrimento recente, porque na sua época não era considerado fotógrafo profissional. Sher-Gil fez retratos e auto-retratos durante 60 anos e, foi pai de Amrita Sher-Gil, um dos fundadores da arte moderna na Índia, cujas fotografias também figuram na exposição.

Quando o fotógrafo dirige a câmara para si mesmo, segundo Deepak Ananth, "o resultado é uma imagem do sujeito como alguém distinto de si mesmo". Basta ver os auto-retratos de Ebenezer Sunder Singh para o comprovar.

De entre as muitas Índias possiveis, algumas são especialmente surpreendentes. Anup Mathew Thomas retrata os bispos das distintas confeissões cristãs Kerala à porta das suas igrejas; Ketaki Sheth apresenta uma série sobre irmãos gémeos; Vidura Jang Bahadur fotografa a vida quotidiana da minoria chinesa com uma técnica panorâmica que converte cada imagem numa narração; revelador o trabalho de Dileep Prakash sobre a colonização -não só britânica- que criou uma casta que é conhecida como a dos anglo-indios, fruto do encontro entre o colonizador e o nativo, filhos de mãe indiana e pai inglês ou europeu. Estes mestiços que decidiram permanecer na Índia após a independência conservam um estilo de vida, costumes e também umas feições que os diferenciam da maioria e são vítimas de estereotipos perjorativos que dificultam a sua integração.

A 23 de Outubro a exposição transitará para o Artium Centro Museo Vasco de Arte Contemporáneo, de Vitória.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Madrid: de 1890 a 1985

Calle Toledo, Madrid 1890
© Arquivo Fotográfico Comunidade de Madrid

Madrid: de 1890 até 1985 é uma exposição itinerante que percorrerá 30 localidades da comunidade madrilena.

Esta exposição é fruto de um convite que o Governo Regional fez aos madrilenos para participarem no projecto “Arquivo Fotográfico Comunidade de Madrid”, cedendo fotografias de albuns familiares que depois de digitalizadas foram devolvidas aos seus donos.

São 81 fotografias que mostram a vida, costumes e paisagens daquela região espanhola. Podem ver vistos, por exemplo um retrato de 1900 da Rainha Maria Cristina, outro de 1920 de um soldado vestido em trage de gala, meninos nas ruas em 1936 pouco antes da Guerra Civil, Sofia Loren em 1962 durante a gravação do filme “El Cid”, um comboio de 1957 ou ainda uma familia desfrutando em 1959 de um dos primeiros televisores.

No Centro Cultural da Vila de Móstoles, até 11 de Setembro.

A exposição percorrerá depois, entre outras, as localidades de El Álamo, Villaviciosa de Odón, Galapagar, Patones e Tres Cantos.